terça-feira, 7 de agosto de 2012

mais menos um




















assim que a porta se abriu
entrou no elevador
olhou bem para frente
respirou fundo
e pensou:
.
- mais menos um...
.
well...
um dia a mais
ou seria um dia a menos? 
.
assunto delicado
cheio de interrogações
pois o futuro ainda está embaralhado
sem um "terra à vista"
com um tom meio desafinado
e com as cores muito manchadas
não bom :(
.
medo de entrar no escuro 
e só encontrar a morte
pois quanto mais o tempo passa
mais nítido o fim se torna
e o que nunca incomodou começa a ser desenhado 
e um medo inquietante passa a fazer parte
como se fosse escrever de próprio punho o destino dessa história...
.
o velhice nunca lhe foi tão nova
a ideia
o conceito
os medos
e o tempo que nunca volta continua seguindo em frente 
as vezes rápido demais para quem tem certeza de que está só começando...
.
- mas você está tão bem! disse ela
- eu sei... estou mesmo... mas até quando? respondeu a amiga
.
sem saber o que comentar 
ficou ali com seus pensamentos
que começam a entrar em sintonia com os de sua amiga
até quando?
até quando a lucidez vai ser sua aliada?
até quando a saúde vai estar boa?
até quando a disposição para "fazer e acontecer" fará parte?
até quando...
.
melhor ir com calma
pois envelhecer não é fácil
não é nada fácil
simples assim :)
.
beijos
claudinha





Um comentário:

Antonio Carlos Muniz Macedo disse...

Realmente não é fácil, levo um susto a cada vez que me olho no espelho, minha mente me esconde a idade real, esta é a razão do susto no espelho, que procuro cada vez menos. Não sei qual a razão mas me lembrei de Kundera, a insustentável leveza do ser, qual a razão ? também não saberia dizer, talvez resultado de uma mente que se recusa a envelhecer.

Fantástico como sempre