quinta-feira, 4 de novembro de 2010

e lá estava ela...




















e lá estava ela...

andando feito uma barata tonta
que acabou de ser envenenada
por uma burrifada de inseticida

quase desfalecendo
mas lutando contra aquele veneno
que entrou no seu corpinho esbelto

pedir ajuda?
sim!
mas para quem?

voltar a confiar em alguém?
será que consegue?
sofrer sozinha?
quanta agonia...

pensa pensa pensa
o antídoto onde está?
será que existe?
quem poderá ajudar?
"poder" não é a questão
e sim quem vai se dispor a entrar nessa bagunça?

e  o tempo está passando
e a dormência já está dando sinais
nas pontos dos dedos
que começam a formigar

respirando fundo
consegue se sentar
ligar o pc
com a intenção de mandar um email
mas para quem?
o que escrever?
como explicar?
será que alguém do outro lado vai ler
e conseguir entender a situação?

água
ela pode ser milagrosa
e dissolver toda essa droga
que está circulando em sua mente perturbada

só agora lhe veio a idéia
de pegar o celular e chamar alguém
pedir socorro
e o escolhido foi o primeiro nome da lista
mas a ideia foi rapidamente descartada...

nos seus delírios pediu ao tempo que parasse
desse uma pausa
congelasse
quem sabe voltasse
ou parasse os ponteiros do relógio
piedade clemência pediu ela
um padre por favor
pelo menos para ouvir e perdoar os seus pecados...

os pensamentos se transformam numa roleta russa
e as opções não estão nada favoráveis...

e com o instinto de sobrevivência aflorado
abre a porta
sai correndo
assim
do nada
sem destino
pensando no suor que começa a brotar
e quem sabe consegue eliminar o sofrimento
que só aumenta a cada segundo...

o cansaço vai chegando
e assim sem nenhum querer
ela se senta na calçada
a rua deserta e sombria
não a deixa com medo
os olhos vao ficando embaçados
e a vida vai indo embora...
 
pensa nos vagões do seu trem
vai caminhando pelas cabides
flashs vão surgindo em sua mente
a vida tenta dar a sua última cartada
mas completamente em vão

ela pensa na vida
mas acaba acompanhando a morte
para onde ninguém sabe
pois ela só deixou a saudade
e uma dor enorme em quem a amava
e que não percebeu
o drama que ela estava passando...

um adeus cheio de perguntas sem respostas
aconteceu naquele dia frio de inverno
onde o sol iluminou o caminho
o vento deu movimento às árvores
lágrimas de alívio acompanharam uns
e o coração derramou saudades em outros...

naquele dia
a viagem dela chegou ao fim
mas o tempo vai passar
e a vida vai se incumbir
de libertar seus moradores
de suas culpas
saudade
e pesar...
cada um no seu tempo
um dia há de encontrar de novo sua fé
sua esperança
e seus sonhos
que perderam completamente o sentido
no meio de tanta dor...

...............

este texto eu escrevi graças a um desafio que fiz com uma amiga muito querida
onde sugeri uma frase
e cada uma escreveu a sua história
a ela com muito carinho
eu agradeço os momentos de inspiração e criatividade
que com certeza
soltaram a minha imaginação
e deram folga para "minhas caraminholas"

um beijo grande
claudinha

Um comentário:

AL disse...

Muito bom!