segunda-feira, 4 de junho de 2012

Chá das cinco com Emmanoel Lima




















o chá das cinco desta semana
continua com as lembranças da família de Dona Geralda
no famoso casarão que tem o poder de emocionar até hoje
a família e os amigos que ali viveram  :)
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a história desta casa é bem maior do que eu pensava
e graças ao texto da Ana Maria, minha sogra
os sentimentos se afloraram
e agora já estamos nos movimentando para escrever um livro de memórias :)
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então fica aqui o convite
para a turma que quiser participar deste projeto
que continua com as lembranças do segundo neto de Dona Geralda
Emmanoel Lima ou Cebola
como é mais conhecido  :)
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meu convidado é singular
no seu jeito de pensar
nas coisas que faz
e na maneira que caminha pela vida
acho que sua história também daria uma grande aventura :)
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então vamos lá
peguei sua xícara de chá
aconchegue-se no sofá
e boa leitura :)
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beijos
claudinha
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Rua São Rafael, nº 15
                           Emmanoel Lima
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- Casa macabra
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No passado, antes da nossa geração, muitas pessoas passaram por esta casa, e muitas morreram lá. Contanto com a parte de cima da casa, que era uma outra família. Teve até velório na própria sala... coisas da época. Acredito que isso justifique alguns fatos e histórias fantasmagóricas da Rua São Rafael 15.
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Uma pessoa que morava em cima, quando estava muito doente, antes de falecer, chamava pela minha mãe e depois que faleceu, continuou chamando.
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Ouvíamos passos no assoalho de madeira, e algumas coisas caindo, mesmo quando sabíamos que não tinha ninguém lá.
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As luzes acendiam e se apagavam, coisa normal eletricamente falando, mas o interruptor mudar de posição era demais! E quando eu ia acender a luz e aproximava minha mão do interruptor e percebia que alguém saia da frente??? Acostumei com isso.
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Mas uma noite foi demais... Eu estava na cozinha, sentado no botijão de gás, lugar certo de se sentar... quem nunca assentou no botijão, entre o fogão e a pia da cozinha? Tinha mais dois amigos em pé e estávamos conversando justamente sobre as almas penadas da casa. De repente, saiu do banheiro, que estava aberto, um ser baixinho, passou no meio da gente, e subiu pela janela da cozinha. Seria simples ilusão minha, se nós 3 não tivéssemos dado um grito de pavor em forma de coral, arrepiando até os cabelos do nariz. Os 3 tinham visto a mesma coisa.
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As coisas aconteciam de dia também. A barriga de uma menina de 16 anos, magrinha, cresceu do tamanho de uma melancia, na minha frente, da minha mãe e do meu pai e ela começou a ter contrações de parto. Em 5 minutos tudo tinha passado, ela voltou a ser magrinha novamente... “coidelôcu” !!!
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- Casa escola
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Aprendi matemática e comunicação, com minha avó, quando já ia tomar bomba. Aprendi a comer feijão marrom e roxinho logo que cheguei de Mar de Espanha, mais logo estava comendo jiló, mostarda, abóbora e tudo mais. Minha avó que ensinou. Ela não conseguiu me fazer comer cebola crua, mas acho que ela também não gostava. Hoje gosto de tudo e sou gordo. Aprendi a fazer gelatina colorida, mas esqueci. Aprendi a ser educado, mas preciso melhorar.
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O método nem sempre era acadêmico. Apanhei para aprender sobre a Çe-cedilha, eSSes , Xizes e Zezes. Não sei até hoje.
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Falando em apanhar e comidinhas. A meninada estava brincando de comer sal escondido, então chegou o Gibão e pegou a galerinha no flagra. Nossa, flagra significava fila pra apanhar de correia. Mas em troca ele disse:
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- Estão com fome? Cortou um prato de angu e fez cada um comer uma fatia enorme, foi uma choradeira pra comer angu puro. Eu estava achando bom. Então ele me fez comer uma frigideira de couve. Eu parei de achar bom, já estava satisfeito.
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O Gibão levou todo mundo no cinema para assistir ET, ele chorou igual menino.
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Continuando apanhando... o Tirrei chegava da Telemig toda tarde e me enchia de porrada, aí eu batia nele também.
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Foi bom aprender a apanhar sem machucar. Eu aprendi a bater sem doer. Saía briga todo dia naquela rua. Às vezes era entre a gente mesmo, primos e irmãos são assim, mão na orelha, soco no nariz. Mas muitas brigas foram com as outras turmas do bairro. Tinha a pracinha Negrão de Lima onde as lutas eram com as bicicletas, preparadas com armas quase medievais na oficina da Rua São Rafael 15. O Gui continuou com bicicleta até virar motoqueiro.
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Do lado, n. 19, tinha a Sulfal Química e então fazíamos muitas experiências para matar formigas. Eu tinha um laboratório de brinquedo, alimentado pela Sulfal. Um dia, eu não estava em casa, e o safado do Wander tacou um prego no meu vidro de ácido nítrico
que estava na janela do banheiro, aquilo gerou um gás vermelho pela casa toda, corrosivo, mortal, que não matou ninguém. Mas a culpa foi minha e só fiquei sabendo da origem do prego dias depois. A culpa já tinha sido minha mesmo... Fiz Química no CEFET por conta disso tudo.
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E quando todo mundo fazia catecismo na Igreja Nossa Senhora das Dores, uma tarde resolvemos ficar brincando até de noite, sem voltar para casa. Quando chegamos em
casa tinha uma turma de pais, mães e tios querendo matar a galerinha. Só porque a Igreja acabava às 5 da tarde e já eram umas 10 da noite? Bom, depois de xingar muito, o Tiraque levou a gente pra comer pizza no Geovanni. Costumava ser bom levar uma bronca.
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Aprendi tudo que sei de importante lá.
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- Casa de música
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Quando criança, tinha um tecladinho a vento, o Wander um violão e o Gui fez uma bateria de lata de mantimento, era a lataria dele. Formávamos uma banda de 3. Tinha um gravador K7 e já dava pra fazer um estúdio de gravação!
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Nunca chegou a ser um estúdio de gravação, mas de ensaio sim, e de lá surgiram as bandas Flagrante Delito que virou Banda Merlin com 2CDs gravados em Esperanto...
isto é eterno. O Gui virou baterista de verdade, e eu, pra não falar que não tocava nada, fiz umas musiquinhas. Mas boas mesmo eram as músicas ‘Barraco’ e uma tal de "Cachorro Que Não Balança o Rabo Porque se Balança Cansa" de autoria do Wander que só cantava as músicas se ninguém pedia pra cantar.
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No meio disso agregaram-se então, o Muvuca, o Markone, o Aldrin, e outros amigos que profissionalizaram a música da infância. Uns viraram irmãos e é pra sempre.
Estes também tem histórias da Rua São Rafael 15.

FIM.

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ps. para você que não leu a primeira parte da história
vale a pena conferir :)

http://clpompeu.blogspot.com.br/2012/05/cha-das-cinco-com-ana-maria-rodrigues.html

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6 comentários:

José Aguilar disse...

Incrível como o Gui já era cabeçudo desde pequeno... rsrsrs.... é verdade, aquela casa tem Histórias, ou seriam Estórias. Ótimo texto Ceb, nostalgia pura...

Cris disse...

Legal demais, amor... Parabéns!
Aguardemos os demais personagens se manifestarem!
Creio que para cada comentário de cada um, as lembranças irão fluir emuitas emoções virão à tona.
Beijos em todos que tiveram a chance de viver essa história!

Beatriz disse...

Será que se a gente perguntar a esta casa cheia de histórias a sua história ela não contaria?!?!?!
Parabéns aos seus moradores e suas lembranças.

Iraq disse...

O Cebola esqueceu de mencionar que odiava quando eu passava pela manhã para buscá-los (ele e o Gui) para o Barão de Macaúbas. Ele odiava a minha buzina, por que eu estava sempre com pressa e ficava apressando os dois.
Desculpa, sim ? E escreva mais. Histórias existem. É só registrar.

Mônica Cristina disse...

Lembro dessa história de um enterro lá na casa mesmo, e tenho lembrança de uma história de um cavalo que entrou dentro da casa, sei lá, de uma pessoa que rescussitou...rs, pode ser historinha pra dormir ( ou ficar acordado ) que minha mãe contava, não lembro direito. Alguém sabe?

Guela, é história mesmo! Antigamente tinha essa distinção que estória seria mais uma fábula, ou conto, e história seria científico, mas isso foi um estrangeirismo usado aqui no Brasil com a palavra 'story". Hoje em dia história é usado para os dois casos ;)

Mônica Cristina disse...

foi mal... enterro não!!
velório!!!!
kkkkkkkk
credo imagina enterrar alguém na casa que horror!!