segunda-feira, 23 de abril de 2012

chá das cinco com Adalberto Maia






















"o chá das cinco" de hoje está reflexivo
com o texto do meu convidado Adalberto
esse menino sorridente, bem humorado, guerreiro e bravo
é meu colega de trabalho
e graças a ele tive a ideia de criar esse espaço
onde todas as segundas-feiras convido uma pessoa que nos brinda com uma história
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esse "anjinho da turma da Mônica" com seus cabelos cacheados e olhos claros
quando tinha apenas dois aninhos
sofreu um acidente e perdeu o pé direito
e aí começa a diferença
numa batalha de pensamentos, conflitos, sonhos e ação
que estou aprendendo a entender, respeitar e admirar
.
então vamos lá
saborear essa xícara de chá borbulhante :)
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beijos
claudinha



M i n h a  C a l v í c i e

                            Adalberto Maia


Milhões que se vão e tudo que eu precisava era um remedinho. Tome três vezes ao dia durante dois meses, disse o doutor, em breve eles voltam a crescer.
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Queria um remédio. Tomaria a vida inteira se necessário! Seria minha cura ao demais, meu refúgio, ou puramente minha salvação de uma hipocrisia maior.
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Mamãe dizia que esse remédio era a fé, mas, hipócrita que sou, acreditava somente em desespero, e no fundo sabia como as coisas funcionavam.
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Com o passar dos anos vai-se aprendendo... ou tentando.
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Com o passar dos anos a grande maioria irá cair, com ou sem remédios, a diferença é puramente o tempo.
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A glória está em ver que se lutou para que eles voltassem todas as vezes que caíram. 
ELES VOLTARAM! Caiam todos os dias, mas voltavam. Aquele médico salvou! Não existia mais o "eu calvo". Deixou de ser o aeroporto de mosca, tobogã de piolho!...
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Olha ali o quatro olhos... HA! HA! HA!
O quê? A magrela? HA! HA! HA!
Oi baleia! HA! HA! HA!


...

Engraçado que sempre que se divertia o remédio acabava, e quando atrasava algum tempo tudo recomeçava...
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Olha gente, o aeroporto de mosca ta voltando... aduba a cabeça ai! HA! HA! HA!
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O médico podia ter avisado dos efeitos colaterais...
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Eu queria um remédio.
Um que me "curasse".
Mesmo que voltasse a cair.
Que fizesse algo maior que uma perna crescer,
assim eu não me tornaria um deles.


FIM
...

ps. para quem quiser seguí-lo no twitter @gere_maia


.....

2 comentários:

Wander Rodrigues disse...

É... muito triste esse texto. A profundidade dele vai além do que tá escrito aí, porque deu para sentir um misto de indignação, frustração, revolta e também esperança.
Maldita esperança, que faz a gente esperar mais, e agir menos.

Claudia Oliveira disse...

o texto nos leva a refletir
como é ser diferente

como é crescer e viver tendo uma deficiência física? já pensou?

praticamente nascer lutando por seu espaço, estudando e aprendendo leis e direitos... tudo muito grande e distante da maioria das pessoas...

o assunto é complexo mas é conversando que as ideias brotam e a vida fica mais leve e divertida :)