sábado, 17 de março de 2012

'prova dos nove' com Wander Rodrigues



os bastidores do 'chá das cinco' aqui no blog
tem me proporcionado momentos felizes
e outros divertidos como o caso de hoje
que rendeu tantos comentários que resolvi contar :)
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ô gente
num super plano "maquiavélico"
o estrategista colocou em ação sua teoria
tentando provar que conseguiria ter um texto recusado por mim
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calmamente e na maior habilidade do universo
escreveu uma historinha de amor e vida após a morte
mais trágico/cômico que sua fértil imaginação conseguiu elaborar
e logo em seguida
passo a passo foi colocando em prática seu plano de provar 
que a claudinha teria SIM coragem de recusar
algum texto que ela considerasse ruim
simples assim :)
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Jonny chegou por email
e depois de um breve drama
que quase me deixou com sentimento de culpa
fez questão de confirmar que sua história não seria publicada
para logo em seguida
com a maior satisfação 
deixar um recadinho para mary no facebook dizendo:
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"Mariana, a sua dúvida sobre a Claudinha rejeitar um texto para o blog
do chá das cinco acabou: Eu acabei de ser vetado!"
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ó!
sem noção o tanto que eu já gargalhei com esse caso
sinceramente não ia postá-lo
mas atendendo a pedidos
aí vai :)
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agora responda com sinceridade
você acha que o texto tem o perfil do
'chá das cinco'? :)
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beijos
claudinha
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                               J O N N Y
                                          Wander Rodrigues

Eu tive, há um tempo atrás, um cachorrinho. Era Jonny o nome dele.
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Jonny tinha alguns problemas de saúde, vários na verdade.
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Às vezes ele perdia o fôlego, não conseguia respirar, e era preciso sacudí-lo para que voltasse ao normal. Porém, depois de ser sacudido e a respiração voltar, ele se contorcia de dor, como se algo dentro dele tivesse saído do lugar.
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Levamos Jonny no veterinário e ele logo constatou o que a gente já imaginava: Jonny era surdo, e isso trazia sérios problemas. Como no dia em que a panela de pressão explodiu, ele não ouviu e não fugiu a tempo e então ficou todo queimado com aquele feijão quente.
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Mas mesmo com todos esses problemas e dificuldades, nós amávamos Jonny.
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Um dia deixamos ele solto para que cruzasse com alguma cadelinha da rua, só para que ele tivesse essa experiência mesmo, mas não deu certo, ele se agitou muito e começou a vomitar, vomitou nele mesmo e na cadela, vomitou sem parar até que o tirássemos de lá e o acalmássemos no colo. Jonny era muito fraquinho.
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Mais tarde descobrimos uma doença que atacava sua pele e ele ficava cheio de feridas. Dava dó vê-lo se coçando todo e não havia muito o que fazer. Foi então que ele teve uma espécie de ataque epilético, girava em círculos com a cabeça pendendo para um lado e ia meio desgovernado até bater na parede. Aconteceu uma vez, depois duas, até que passou a acontecer várias vezes por dia. E isso o enjoava, e ele vomitava mais e mais. Juntou-se a isso a dificuldade para comer devido aos movimentos descontrolados que ele fazia. Jonny começou a ficar bem magrelo.
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Quando chegaram as férias resolvemos ir à praia e levar o Jonny. Pensamos: "Ele está muito fraquinho, mas se for pra morrer, que morra na praia, correndo e brincando na areia". Juntamos nossas coisas, malas, carro, família, Jonny, e fomos para a praia.
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No meio do caminho derrapamos em uma curva acentuada, e o carro caiu montanha abaixo.
Só Jonny sobreviveu.
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Ninguém nunca o encontrou, e ele vive lá até hoje, no meio do mato, e até que está bem.
Eu, aqui do céu, observo-o todos os dias. Eu ainda gosto muito dele.

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8 comentários:

AL disse...

kkkkkkk Moral da história: vaso ruim não quebra!

Mary disse...

Estou morrendo de rir. Se por causa da tragicoméia ou por causa do veto x chá das cinco. De onde saiu essa história??????? Acho que o Wander passou um tempo no Galba. Ou então só seres superiores como ele e a Ana Lucia conseguem entender o verdadeiro motivo da história. Só sei que adorei!!!!

Lalu disse...

Hahaha! Muito engraçado! Eu vi o post do Wander pra Mary e estava curiosa com a história. Posso garantir que nem imaginava que fosse alguma coisa assim. Muito bom! E concordo com a conclusao da Ana Lucia. Ela pegou bem o "espirito" da coisa. (Opa, espero que a expressão nao tenha ofendido o nosso bondoso narrador...)

Bel disse...

Que legal! Achei bem divertido. :)

Claudia Oliveira disse...

ô gente!
falei com ele que não ia postar porque senão todo mundo ia ter a certeza que meu marido é doido! rs

mariana a 'culpada' dessa história foi vc quando colocou em dúvida o meu veto! rs

bjos
claudinha

BEATRIZ disse...

Amei a a história e ri muito. Eu já tinha o meu final definido que seria, quando o carro derrapou na curva, ele teria morrido. Surprise!!!!! Final completamente fora no "meu" prognóstico. Amei Wander: acho que foi picuinha mesmo. Trata-se do mais fino conto de "realismo fantástico" que eu li recentemente: García Márquez se cuide Wander Rodrigues está na área!!!! Beijos

Eliana disse...

Wander vai se dar bem com o Bê.
Adoro essas narratvas meio "nonsense".
Eliana

Wander Rodrigues disse...

O texto causou alguma reação, isso é muito bom ! Obrigado por terem lido e comentado.
É uma linda estória de amor, que fala sobre a vida após a morte, de uma forma esquisita e bizarra...
Mas agora tenho que preparar o próximo que seja altamente não-publicável. Acho que vai ser sobre o dia em que abri minha boca na frente do espelho.
Claudia, parabéns pelo no quadro do chá das cinco, agora eu também vou querer ler o de todo mundo!